Num fato sem precedentes, na segunda-feira, 30 de maio, a Justiça espanhola pediu a extradição dos integrantes do grupo La Tandona, envolvido no massacre, considerado um delito de lesa humanidade. O fato ocorreu há 21 anos, no contexto de uma cruel guerra civil, que deixou como saldo, segundo dados oficiais, 75 mil civis mortos e 8 mil desaparecidos.
"Esse foi um crime de lesa humanidade que pode ser perseguido por qualquer país do mundo", disse Henry Fino, do Instituto de Direitos Humanos da Universidade Jesuíta (IDHUCA).
O ex-presidente Alfredo Cristiani, que governou o país de 1989 a 1994, disse que a soberania do país está sendo violada e reportou-se à Lei da Anistia, que eximiu de responsabilidade militares e ex-guerrilheiros envolvidos em crimes de guerra.
O reitor da UCA, padre Andreu Oliva, destacou que as declarações de Cristiani não ajudam no esclarecimento da verdade e da reconciliação. Ele demandou das autoridades salvadorenhas que façam justiça.
No dia 15 de novembro de 1989 foram assassinados: Ignacio Ellacuría, reitor da UCA; Segundo Morros, Ignacio Martín-Baró, Armando López, Juan Ramón Moreno e Joaquín López, mas as colaboradoras Ellba Ramos e sua filha Celina, de 15 anos.