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Governos não chegam a acordo para comercialização de armas

Depois de um mês de negociação, fracassaram as negociações do Tratado para o Comércio de Armas (ATT, a sigla em inglês). Estados Unidos, Rússia, Irã, Cuba, Coréia do Norte e Venezuela jogaram possibilidades de acordo no lixo. Embora não rejeitasse formalmente o texto, o Brasil também não aderiu ao seu conteúdo.

ALC
Nova Iorque, segunda-feira, 30 de julho de 2012

Segundo o Instituto de Estudos Internacionais e de Desenvolvimento, na análise anual denominada Small Arms Trade Survey, o Brasil foi o quarto maior exportador de armas leves em 2011, ficando atrás dos Estados Unidos, Itália e Alemanha. Os Estados Unidos são o maior exportador de armas do mundo.

Reportagem de Rubens Valente para a Folha de S. Paulo, o Brasil vendeu 5,8 milhões de dólares em bombas de fragmentação e incendiárias ao Zimbábue em agosto de 2001. A bomba de fragmentação espalha de 14 mil a 120 mil esferas de aço, dependendo do modelo. Israel também comprou esse tipo de bomba da indústria brasileira.

O Brasil vendeu bombas de gás lacrimogêneo à Turquia. O governo brasileiro deu incentivos fiscais a empresas do setor em 2011, uma motivação para aumentar as exportações.
 
"Podemos ostentar um orgulho internacional: nós também temos nossos criminosos de guerra. Gente que não escaparia no Tribunal Penal Internacional de Haia, por fomentar a morte de populações civis e inocentes, e com isso lucrar fortunas", comentou o articulista Jânio de Freitas, no artigo "A transparência opaca", publicada na Folha de S. Paulo.

O Brasil, denunciou Freitas, está envolvido em monstruosidades que finge condenar. Em declaração escrita encaminhada à ONU, o Brasil combateu a "transparência absoluta" no assunto exportação de armas, o que igrejas, ONGs e militância por uma cultura de paz defendiam no ATT.

O ATT está em discussão desde 2006. Mesmo sem acordo, o texto será enviado para a Assembleia Geral da ONU, que definirá, em outubro, como será dado andamento ao processo.

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